João: Quero tanto ir para o céu, não aguento mais este mundo.

Pedro: Porquê?

João: Este mundo é injusto, cheio de desgraças e tristezas.

Pedro: Mas como é este céu?


João: É um lugar onde não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, etc…

Pedro: Hmmm… Será uma dimensão cheia de pessoas imortais?

João: Isto, um ambiente espiritual onde todos terão outros corpos.

Pedro: Que corpos?

João: Não sei explicar direito, mas serão corpos celestes.

Pedro: Mas qual a necessidade de um corpo em um ambiente não-físico?

João: O apóstolo Paulo que disse, sinceramente eu não sei.

Pedro: O que você vai fazer neste céu?

João: Vou ver Jesus e abraçá-lo de tanta alegria.

Pedro: Abraçar? Você e Jesus serão seres materiais?

João: Hmmm, é jeito de falar.

Pedro: Ah, tudo bem, então continue…

João: Vou querer ver Deus face-a-face e adorá-lo para sempre.

Pedro: Deus tem rosto? Aliás, as pessoas continuarão a ter características humanas no céu?

João: É mesmo, não tinha pensado nisto.

Pedro: Que tipo de adoração pretende prestar à Deus?

João: Ficarei louvando-o dia e noite, cantando hinos de adoração.

Pedro: Dia e noite?

João: Ops…É mesmo, não vai ter mais isto.

Pedro: No mínimo monótono, a mesma atividade eternamente.

João: Ixi, é verdade. Creio que poderemos ter outros afazeres lá.

Pedro: Quais?

João: Não tenho nem idéia.

Pedro: Interessante.

João: Mas fico imaginando, as ruas de ouro, que lindo!

Pedro: Rua? Pra ir para que lugar? Para quem pisar? Ouro? E, que diferença faria o tipo de rua? A duração ou o valor da rua será maior?

João: Talvez precisemos de ruas para irmos para nossas moradas do céu.

Pedro: Moradas? Para quê? Pelo que entendi, sendo seres espirituais, vocês não precisarão mais dormir e nem fazer divisão de espaço no céu. Não haverá ladrões e nem inimigos.

João: Pensando assim, talvez será um grande acampamento. Eu vou ficar andando por todos os lugares e conhecer cada canto do céu.

Pedro: Andando? Canto no céu? Todo nosso meio de locomoção é relativo à nossa forma física. E que céu é este, limitado fisicamente, para ter canto?

João: Parando para pensar, é estranho mesmo. Mas só sei que vou querer rever meus amigos e familiares e vivermos felizes para sempre.

Pedro: Mas sua memória desta vida será preservada no céu?

João: Sim…

Pedro: Imagina a tristeza em saber dos seus amigos e familiares que não entraram no céu…

João: Só lembraremos das coisas boas.

Pedro: Que tipo de coisa? Todas as coisas são relativas à nossa condição humana terrena e temporal: nossos amigos, nossos parentes, nossas conversas, nossas idéias, nossos sentimentos e nossas propriedades. E, pelo que sei através de vocês, até mesmo a sexualidade (macho e fêmea) será perdida.

João: É, acho que então não nos lembraremos desta vida na terra.

Pedro: Pensando assim não saberá se um dia já esteve em outro lugar. Será outra pessoa, outra consciência.

João: Putz…pensando em tudo isto este céu parece não ter lógica e nada de interessante, monótono, agonizante, sem sentido…Que inferno! Definitivamente não sei o que é céu e nem como será…

Pedro: Inferno?

João: Ah! Não começa que eu também não sei o que é inferno… foi só uma maneira de falar…Esquece! Tenho que ir embora… Fui.