O que é deus?
divindades Nenhum comentário »Fui cristão e abracei por vários anos este modo de vida, porém aos poucos fui me desiludindo de pregações que já não me satisfaziam e perdendo a fé em toda esta vida religiosa.
Por fim, me tornei agnóstico, já que deus é um conceito com várias definições diferentes, impossibilitando saber o que é. Seria qualquer coisa que eu imaginar?
O sol? O vento? Um objeto? A natureza? Uma pessoa? Um ser? Uma civilização avançada? Energia? O que é deus? Quais características?
Cada um cria sua própria concepção.
Vejo o “crer” ou “não crer” no divino apenas como uma conclusão pessoal, um modo de encarar a vida. Não há como ter provas sobre isto, e assim, o melhor é não haver afirmações sobre este assunto, independente das opiniões.
Mas não vejo razões para acreditar em algo que não tem como se provar. Tal ceticismo, uso igualmente para fadas, sacis-pererê, gnomos, duendes e qualquer dragão invisível na garagem. Prefiro crer naquilo que podemos perceber pelos nossos sentidos e fazer prova do mesmo, do que achar que fico “esbarrando” a todo instante em seres invisíveis que não podem ser detectados.
O deus pregado por muitas religiões, parece ir se adequando com o que ainda há de obscuro para a ciência, ou seja, é o deus das lacunas, um deus criado por homens para tampar o universo de questões ainda não resolvidas.
Seria mais interessante admitirmos que não temos respostas para muitas coisas atualmente e não ficarmos inventando soluções mirabolantes sem fundamento e que apenas tornam as coisas mais complexas e dificultam o avanço da ciência.
O próprio deus cristão (Jeová / Javé) , o mais comum em nossa cultura brasileira, não tem definição em consenso por todos os cristãos. Cada pessoa cria sua própria definição, adaptando alegoricamente trechos bíblicos que não crê como literal ou até mesmo ignorando aqueles que não conseguem se tornar compatíveis com sua própria idéia de deus. As religiões cristãs se subdivivem em unicistas, unitarianos e trinitarianos; calvinistas e arminianos; e em outras inúmeras subdivisões. Sem contar os assuntos sobre “alma”, “demônios”, “inferno”, “céu”, “vida eterna”, “dons espirituais”, etc, onde não há um entendimento comum. Longe disto. A bíblia é entendida de diversas formas, cada um interpretando-a a seu belprazer. Isto é até lógico, já que se trata de um livro mitológico e incoerente.
Cada um crê no que acha mais confortável e menos contraditório. Pergunte a algum cristão o que é deus para ele, peça detalhes e anote todas as características. Depois repita isto com mais alguns. E pra aprofundar a questão, confronte tais características com a bíblia. Perceberá muitas contradições tanto entre as definições dos cristãos, quanto com a bíblia. No fim, teremos vários deuses pessoais.
Lembre-se dos milhares de deuses pregados no mundo e suas diferentes características. Porquê os cristãos, ou a maioria deles, adotam o deles como o único verdadeiro e negam os outros?
O mesmo ceticismo utilizado para não crer nos outros deuses, pode ser utilizado pelos não-cristãos para não crerem em Jeová. Simples assim. Seria questão de bom senso para utilizar o mesmo método para todos.
Mas sendo a fé a raiz da crença neste deus, e não o pensamento crítico, é difícil para o cristão chegar a esta conclusão. Sendo oportuno, cito o trecho abaixo:
Entretanto, como o pensamento religioso se baseia na fé e valoriza a aceitação dos dogmas “com a inocência de uma criança“, esta racionalidade gera um conflito. A fé rejeita o questionamento. A fé não baseia suas ações ou crenças em evidências (Hebreus 11:1). Fé e pensamento crítico estão em extremos opostos. O reverenciado apóstolo Paulo declarou que “o que não for da fé é pecado” (Romanos 14:23). O ideal da espiritualidade é “não confiar em seu próprio julgamento” (Provérbios 3:5). Questionar ou pensar com a própria cabeça é pecado. Heréticos são assim
denominados porque, em algum momento, tiveram idéias próprias. Todas as diferentes denominações cristãs são, no fim das contas, diferentes heresias, cada qual se dizendo a única verdadeira. (1)
As característias dos deuses variam de pessoa para pessoa, de religião para religião, de cultura para cultura.
Qual deus seria verdadeiro? Qual deveria ser seguido? Todos seriam o mesmo deus? Todos seriam reais? Todos seriam fantasias?
Cada um faz sua escolha, vive da forma que mais lhe dá prazer e traz a paz. Ou talvez, não seria tanto uma decisão que fazemos, mas uma conclusão inconsciente advinda de informações e experiência que vivemos? Seria um bom assunto para debate. Quem sabe somos apenas consequência do meio em que vivemos, tentando dar prioridade para certos tipos de informações e experiências.
O importante é conseguirmos promover a união que ultrapasse as barreiras de crenças e religiões, e que possamos entender outras perspectivas de vida e aceitarmos os outros com suas opiniões, mesmo que não concordando.
Cada um vive com o que acha melhor ou mais real, por bem. Somos todos iguais, estamos todos no mesmo barco.
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Citações:
(1) Fonte: http://ateusdobrasil.com.br/artigos/comportamentos/qualquer_deus_serve.php
Tradução: Fernando Silva
Artigo: Any Ole God Will Do
Autor: Lee Salisbury