Não consigo ver casais dizendo quanta vontade têm de ter filhos, ou outros falando sobre os seus já nascidos, sem pensar em todos os motivos que os levam a tê-los e o que isto acarreta.
Claro, sendo uma coisa natural, e consequência do ato sexual, tendemos a nos adaptarmos e tentarmos expor apenas o lado bom, além de incentivar outros a terem filhos também. Porém considero indevido não meditar sobre tudo que isto implica.

Qual o motivo para a pessoa desejar ter um filho?
Mesmo não tendo um atualmente, tentarei imaginá-los:
- Criança traz alegria para a casa.
- Formar uma família.
- Sair da monotonia do casamento.
- Ter um descendente, alguém que saiu de você.
- Ter o prazer de observar alguém que você “criou” se desenvolver no mundo.

Observando de perto, percebo tais pensamentos como um mero egoísmo, não que seja imoral ou maléfico, mas não percebo-o como um ato benéfico ou heróico para o filho, e para os pais é relativo e depende de cada caso.

A criança pode trazer os benefícios esperados, porém percebemos que em alguns casos transferimos responsabilidades quanto à nossa felicidade[bb] e dinamismo do casamento para a criança.

Será que ela é a solução para as coisas? Não há outros meios? Quais os benefícios para esta criança? Você a utilizará para esperar dela algo que você não foi capaz de produzir?

Precisamos levar em conta todos as responsabilidades que derivam do nascimento da criança.

Em tempo, quero dizer que adoro crianças.

Mas quando o filho nasce, vem com ele uma série de preocupações e responsabilidades.
A estabilidade financeira do casal pode ser comprometida e até gerar atrito entre os dois. Pode fazer o barco naufragar e você começar a sobreviver em vez de viver. A vida íntima pode ser prejudicada. Os momentos de lazer poderão ser limitados e até direcionados para o filho. Sua vida poderá ser em função do seu filho.

E, vem outra questões:

Você terá condições de criá-lo e educá-lo dando-lhe um bom desenvolvimento, tanto físico quanto intelectual?
Terá condições de lhe manter uma boa saúde?
Se ele tiver algum problema sério de saúde, que ocorra em grandes gastos financeiros e sugue todo seu tempo disponível, terá condições psicológica e financeira?

O prazer de ter um filho pode ser algo sensacional, mas talvez seja simplesmente o instinto humano agindo, pois nos orgulhamos de mostrá-lo e ver um ser que nasceu de nós mesmos. A procriação é algo natural, no sentido biológico, mas não pode ser ser tida como regra eterna para todos.

Se não houver um controle de natalidade consciente, chegará uma hora em que o mundo ficará inabitável. Muita gente, poucos recursos.

Já vi pessoas comentando: “Se seus pais pensassem assim você não existiria, não teria oportunidade de curtir a vida, de ser o que é”. Mas pergunto: Desde quando alguém que não existe tem consciência? Ela não existe pra saber, ou seja, é totalmente indiferente. E o que seria curtir a vida, ou ser o que é? Qual a verdadeira vantagem disto? O mundo não é um simples conto de fadas, aliás está bem longe disto.

Estando vivo, é claro que fazemos um exercício constante de ser feliz e aproveitar a vida, mas fazemos isto por estar vivo, sendo até um esforço para não ser engolido pela falta de sentido de tudo.

Alguns podem dizer: “Se for ficar pensando nestas coisas, acabamos não fazendo nada. O negócio é ter filho que damos um jeito pra tudo. Vale a pena”. Oras, se a pessoa reconhece que se ela parar para analisar talvez não compense tomar certas atitudes, por que ela prefere deixar de pensar sobre tais coisas para poder agir? É mais sábio? É garantia de alegria? Ou será que é para seguir o fluxo natural da sociedade?

Quem sabe seja até uma forma de algumas pessoas criarem seu sentido da vida gerando outro ser que lhe sugará a atenção e lhe dará uma possível fuga do mundo e das preocupações tenebrosas que o assolam? Mesmo que isto funcione para tais pessoas, será mesmo um benefício para seu filho?
Ele acabará sendo vulnerável aos mesmos problemas que todos nós.

O fato de gostar de crianças não torna obrigatório imaginar a idéia de ter um filho.

O casal pode ser feliz a sós. Não consigo restringir a felicidade de um casal à existência de um filho em alguma etapa do relacionamento.

Pode ser que o desejo de muitas pessoas em ter filhos, seja originado de um sentimento de posse: “é meu!”. Então pergunto: No fim, isto é bom pra ele, ou pra você? Isto é uma preocupação com ele, ou consigo mesmo?

Talvez as pessoas que não me conheçam venham me considerar uma pessoa fria, mas não, pelo contrário do que possam imaginar, sou um homem muito sensível à vida, apenas procuro meditar sobre os assuntos e ter conclusões mais racionais do que meramente emocionais. Muitas vezes acabamos nos acostumando a vivermos nos adaptando às conseqüências, à emoção do momento, às vontades da sociedade, e não tentamos nos oferecer um pouco de meditação sincera antes de tomar alguma atitude.

Tenha filhos por decisão própria e não por considerar algum sinal de compaixão ou uma obrigação.