Personalidade
dez 20th, 2007 | Por Renato Caliari | Categoria: vida e comportamentoNão vejo a personalidade como algo exclusivo e independente do mundo, mas uma mistura entre genética, cultura e idéias. Por vezes podemos tentar alterar (ou seria adaptar?) algumas de nossas características, outras vezes nem percebemos certas mudanças que ocorrem de forma inconsciente.
No mundo, uma coisa está ligada à outra, uma pessoa influencia a outra, um acontecimento influencia o outro, e fica difícil falar sobre originalidade. Nem vejo motivo para almejar ser totalmente ‘original’, como se tivesse algum mérito com isto. Quero sim, é ter consciência de minhas ‘próprias’ idéias e tomar minhas ‘próprias’ decisões.
Por exemplo, gosto de me sentir livre para ser do jeito que quero na hora em que quero, seja linguajar, roupas, estilo de vida, etc. Muitas coisas podem acabar acontecendo de forma meio que automática, mas tendo consciência disto no meio do caminho, posso tentar alterar para melhorar meu bem estar. Mesmo assim, talvez muitos princípios que norteiam nossas decisões podem já estar meio que ‘programados’, seja pela cultura ou pela genética.
Há questões mais complexas e outras mais simples, contudo não estou aqui para abranger o assunto de forma científica mas como mera opinião tentando abstrair de forma rápida aquilo que percebo.
Tem dia que posso querer me vestir mais largado, outro, mais sério. Tem ocasiões que posso preferir utilizar-me de um linguajar mais intelectual, outras, com um linguajar mais jovem e descolado.
Pode depender tanto do humor, do dia, da ocasião, das pessoas que estou conversando. Tanto faz.
Não deixo de ser eu, aliás eu sou apenas uma mistura de tudo e do todo. Em mim, o ‘eu’, resultou de uma forma, em outra pessoa, resultou de outra.
Por isto, não vejo motivos claros para manter um padrão e me encher de limites, sem permitir qualquer desvio na minha forma de ser. Sou uma metamorfose ambulante, e por mais que algumas idéias pareçam eternas em mim, não morreria por alguma convicção, sabendo que posso mudar minha forma de pensar no minuto seguinte, já que me dou esta liberdade.
Se quero me vestir igual um palhaço um dia, se quero parecer um empresário no outro, problema é meu. Deixe eu curtir.
Se quero falar sério hoje, mas amanhã falar gírias, me deixe quieto.
A vida é uma coisa louca e linda, e é bobagem se preocupar em não ofender a interpretação que os outros têm do seu ‘eu’.
Claro, se as consequências não forem suportáveis, talvez o melhor caminho a ser tomado possa ser outro.
As coisas mudam, evoluem, regridem, vão, voltam, somem e aparecem.

