Discípulo da razão é um blog para falar sobre a vida e sua falta de sentido. Sem rodeio. Sem frescura.
Carro, o bicho de quatro rodas
Ultimamente o consumismo tem mesmo tomado conta do pedaço.
Pessoas que não têm a mínima condição de ter algo muitas vezes se desdobram para obter isto e se manter na ‘moda’, ou, se convencem que isto é extremamente necessário.
Tudo bem, podem até conseguir um grande bem estar, mas muitas delas não estão preparadas para as consequências: juros altíssimos, parcelas a perder de vista e até contas no vermelho. Ficam ansiosas e depressivas, e o ‘remédio’ se transforma em mais dívidas, se afundando neste pântano consumista. O melhor seria ou aprender a viver no vermelho numa boa, ou não comprar o que não pode. As pessoas têm se tornado cada vez mais materialistas e até projetam sua felicidade nestas coisas. “Quando eu tiver um carro, aí vou estar realizado”. Um equívoco que pode passar desapercebido. A felicidade não pode depender do futuro ou de algo que não se pode ter. Ela depende de nós.
Grande parte de meus amigos possuem carro. Porém, sei de minhas condições e não posso obter um agora. Seria ótimo ter dinheiro suficiente para não me preocupar com os gastos de um veículo. Andar pra cima e pra baixo com ar-condicionado ligado e um bom som tocando. Maravilha! Mas, tenho conhecimento que, por enquanto, não dá. Prefiro pagar minhas contas em dia, sem preocupação, e o dinheiro que sobra uso com outras coisas.
Carro está deixando de se tornar um luxo e virando necessidade. Mas e daí? Necessidade para quem torna-o tão necessário assim. Com certeza ele facilita a vida, nos dando oportunidade de ir a lugares distantes com tranquilidade, conforto e com pessoas que gostamos. Mas, ao menos no Brasil, este bicho de quatro rodas parece estar se tornando um sugador de dinheiro, uma bola de neve de dívidas para a classe média e baixa.
Desejo ter um, mas não baseio minha felicidade e bem estar neste desejo. Já tive um quando ainda era solteiro mas precisei me livrar para pagar minha faculdade na época.
Há aqueles que possuem uma quantia boa em dinheiro para comprar sem esforço, mas o preço pago durante à vida para ter estas condições às vezes é muito alto. Outras vezes, o indivíduo nasceu em família rica ou deu sorte de conseguir dinheiro de forma um pouco mais fácil. Bom pra eles.
Tudo passa mais ou menos por um ‘cálculo’: quanto quero e posso me desgastar para ter algo e quanto este algo me proporcionará de bem estar.
Não quero que as pessoas digam o que eu preciso ter e o que é necessário pra mim. Estas coisas só eu posso responder e não os comercias de TV.
Andar à pé, de bicicleta, de ônibus, de táxi, não mata ninguém. Sem contar que quando os amigos se reúnem para ir a algum lugar juntos, vez ou outra há lugares disponíveis, e as famosas caronas surgem sem eu gastar um tostão com o veículo em si. Nada mais normal e, caso tivesse carro, também ofereceria a carona da mesma forma. Sei que fico dependente do horário que o dono do veículo quer ir embora, mas é algo que me sujeito, senão, basta procurar outra carona ou pegar um táxi.

