Durante o namoro eu insistia com minha atual esposa a tentar ler livros para ‘ajudá-la’ a ser mais articulada, estruturar melhor suas opiniões, aumentar o vocabulário e blá blá blá. Pobre de mim que nem sou culto, apenas um curioso e metido a ler coisas de meu interesse. Ela admitia e era original: não gostava de ler.Até que conseguimos comprar um livro pelo qual ela começou a ler e se interessou. Um livro estilo comédia romântica. Leu ele todo e adorou.

Percebi que não adiantava forçar, mas disse que só compraria livros se ela realmente fosse ler.

Chato, eu fazia perguntas do tipo: e aí, acabou o livro? Porquê não lê em vez de assistir TV? Ou em vez de blá blá blá?

Passou-se o tempo, algumas outras raras leituras, e casamos. Durante o casamento já compramos alguns outros livros pra ela, acho que uns dois. Começou a ler e não conseguiu passar de alguns capítulos até então. Talvez não gostou muito, talvez não quer ler por enquanto. Não importa, o que importa é que ela só vai ler quando quiser e se quiser. Mais do que certa.

Ainda pouco consciente deste assunto, eu, até pouquíssimo tempo atrás tentava dar um empurrãozinho. Até por pensar no dinheiro[bb] ‘investido’ e no livro parado, esquecido. Gastar já é complicado, comprar e não ler então, realmente dói no bolso.

Me descobri um chato e inconveniente. Pra quê forçar um gosto meu para cima de outra pessoa?
A pessoa vai ler no dia que tiver vontade e ponto. Assim como vou ver TV quando eu quiser, vou jogar sinuca quando eu quiser. Tudo, se eu quiser. Se eu não gosto de algo, não adianta me forçarem, assim como não adianta eu perturbar e encher o saco de alguém.

As coisas são prazerosas para quem as consideram prazerosas. São importantes para quem as consideram importantes.

Vale a pena conferir o post do Alex, que acabou me motivando a escrever isto, falando sobre o Lobby da Leitura.