Discípulo da razão é um blog para falar sobre a vida e sua falta de sentido. Sem rodeio. Sem frescura.
Experiências com o além
mai 29th
Muitas experiências intrigantes que as pessoas têm no dia-a-dia são tidas como algo do além e acabam servindo como um dos pilares para a crença em divindades.
Crêem mesmo que foi deus ou qualquer outra coisa que deu um sinal e falou com elas.
Alguns crêem que foi Jeová, outros Jesus, espíritos, fadas, gnomos, duendes, Mitra, Horus, Afrodite, Zeus, etc. Quem será que realmente falou com a pessoa? Aliás, alguém falou?
Uma mesma experiência, para um pode significar o deus teísta falando, para outro uma tartaruga cósmica voadora codificando uma mensagem.
Este é o agravante: interpretam os eventos e adaptam sua memória para se encaixarem no padrão de suas crenças e expectativas.
Não conseguem aceitar o universo com seus mistérios.
Se pegarmos as experiências das pessoas de várias crenças, e por algum momento, dar crédito à sua conclusão, como saber qual crença está certa?
Caso eu acredite que existam super bananas galáticas carameladas, e sempre que alguém cite a palavra banana signifique que elas estão falando comigo, seria aceitável dizer que isto confirma a existência delas e demonstrem seu poder de cascas celestiais?
Ou, de repente, uma pessoa me diz algum dia que o elevador vai cair por 3 andares até chegar ao chão. No outro dia isto acontece. Ohhh! Realmente, que coincidência! Puta cagão o cara que disse isto.
Foi mensagem do além? As bananas, em assembléia com todo o cacho santíssimo, resolveram me avisar? Este evento prova a existência delas?
É fácil perceber que os acontecimentos tidos como experiências com o divino servem para tentar confortar e confirmar a crença da pessoa.
Para muita gente é difícil pensar que não existe ninguém zelando por nós, que o universo não conspira a favor e nem contra ninguém, que não há um propósito para as coisas. São carentes desta fantasia.
É claro que eu também me surpreendo com algumas coisas, e o universo me causa grande curiosidade e admiração. Mas não invento super-heróis por causa disto.
A pessoa crente em algum ser-que-fala-coisas-com-ela parece ter um avançado e muito utilizado sistema de filtragem na memória. O tal ser fala com ela 100 vezes através de algumas pessoas. Noventa e nove mensagens não se concretizam. A pessoa simplesmente ignora todas elas, afirmando que foi erro da pessoa que entregou a mensagem, e esquece-se delas, ou se foi ela mesmo que ouviu a voz-do-além e não se cumpriu então provavelmente naqueles momentos específicos foram alucinações devido ao stress.
Uma das ‘revelações’ que se concretizou foi adaptada e lembrada no formato que atenda a expectativa da crença, e tida como prova irrefutável de um ser do além se comunicando.
Mas pera lá! E se eu pegar as 99 que não aconteceram para, de forma inversa, ‘provar’ que tal ser não existe? E ainda pegar a única que bateu e mostrar que pode ser resultado de coincidência ou explicar que é um evento possível de acontecer e que podemos obter informações sobre isto na ciência? Aceitariam? Claro que não. As alegações só funcionam para o lado deles.
Algumas pessoas estão tão afundadas em suas crenças que já não conseguem ver a diferença entre ter uma experiência curiosa e afirmar que um ser invisível existe.
Eu mesmo posso falar 200 coisas para várias pessoas. Várias não se realizarão, algumas poderão se concretizar em partes e raríssimas acontecerão parecendo que por completo, já que a memória das pessoas poderão me ajudar nisto, manipulando as informações processadas. Será que vendo que a maioria das coisas que falei não aconteceram, não seria prova de que eu não tenho o real conhecimento do futuro, e que talvez utilizei-me de probabilidades ou simples chutes?
Ou, será que, ao contrário, as raras coisas que pareceram acontecer provam que sou onisciente? Sou deus?
A memória é um mecanismo surpreendente e tem a capacidade de trair a veracidade dos fatos.
O mundo sem dúvida alguma é misterioso e cheio de incógnitas, mas isto não comprova a existência de um mundo invisível cheio de seres divinos.
Racional
mai 27th
Ultimamente, quando paro para conversar sério com alguém, tenho ouvido com mais frequência que sou muito racional. Não vem como elogio, é uma expressão lançada em tom pejorativo.
Parecem achar um absurdo que eu converse sobre certos assuntos sem o apego emocional do senso comum.
Tento ser imparcial e objetivo quando reflito sobre um assunto. Tento analisar e entender os pontos de vistas. Qual será o mal nisto?
Não esperem de mim opiniões baseadas em preconceitos.
E-mail que recebi
mai 20th
Vejam o que chegou em minha caixa de entrada:
Remetente: missionário <jovempracristo@gmail.com>
Mensagem:
Acho seu site muito presunçoso, você deveria analisar
melhor seus pensamentos antes de escrever, afim de não ofender
ninguém.
Você não é dono da razão,
Deus é mais!
Abraço.
Tentei responder o email porém retornou uma mensagem de erro.
Parece que há pessoas que se sentem inseguras em colocar o email verdadeiro e receberem uma resposta.
Sendo assim, torno a resposta pública:
Missionário,
Meu site é um local que utilizo para expor minha forma de pensar. Ninguém é obrigado a acessá-lo.
Quando o fazem é por escolha própria.
Se algo te ofende, por favor, deixe de visitar o blog.Abraços.
Calor
mai 12th
A cada dia que passa fico mais convencido que não suporto calor. Ele me faz ficar irritado, inquieto, impaciente e querendo que tudo acabe logo. Estou ficando com aversão. Evito lugares abafados, evito até cozinha, onde possivelmente há calor. Não gosto de fumaceira e nem gordura, outra coisa que tento passar longe.
Caminho bem concentrado e tento ser o mais objetivo possível quando vou à parte de churrasco em alguns self-services. Normalmente já está formada aquela fila de pessoas. Só de ver os churrasqueiros todos suados, a fumaça e prever o calor infernal que deve estar lá perto, quase desisto.
Quando a atividade é feita sob calor ou provoque calor mas é algo temporário e de acordo com nosso planejamento, por exemplo, ir à praia e à academia, tudo bem, mas senão não tenho mais saco.
Até para a praia evito ir. Ficar na areia fervendo, com um sol escaldante em cima, não é bem pra mim. Lá, até gosto de ir quando está um sol ameno, e curto bater papo, ficar um pouco na água e até jogar bola, mas não é sempre que ele, o sol, colabora. Talvez seja melhor ficar nos quiosques comendo petiscos e apreciando a paisagem, ou quem sabe, ficar em casa com o ventilador de teto ou ar-condicionado ligado assistindo a um filme.
Em meu apartamento, onde bate sol da manhã e sol da tarde, está ficando difícil de permanecer durante o dia, quando o sol resolve rachar nossas cucas. Antes, quando estava trabalhando, ficava em escritório com ar-condicionado, agora, parado, fico em casa, suando, esperando chegar o fim da tarde.
O sol é essencial e proporciona belas imagens, sem dúvida. As paisagens ficam paradisíacas. O clima quente parece deixar as coisas mais alegres. Mas tudo tem um limite. Se desse pra escolher a temperatura que queríamos e a hora que desejaríamos, seria excelente, mas não é assim. Ele, imponente, esquenta a chapa e a gente que se vire.
Pera lá meu irmão!

