Estou trabalhando e até então um tanto satisfeito na empresa em que estou mas fui para uma conversa informal (entrevista) em uma outra empresa para saber o que eles tinham pra oferecer. Não custa nada e além do mais foram eles que me chamaram. Depois de bater papo por um tempo, pra encerrar, um dos diretores me pergunta:

- Você é o cara?

Fiquei pensando: Quem é o cara? O que teria que ser pra ser o cara? Existe o cara?

Respondi algo parecido com: Estou apto a desenvolver o que me proponho.

Falei mais algumas coisas e dei a entender que não era o cara. Aliás, eu não sabia quem era o cara que ele queria. Um super-herói que resolve e sabe tudo?

Eu não estava assim tão interessado mesmo na vaga.

Ele achou que eu estava enrolando, deu mil explicações. Mas em nenhum momento me deu as variáveis para eu tentar desvendar o que seria o tão almejado “cara”.

Deu a entender que eu não precisava ter medo de falar, deu uma pressionada, falou sério, e também riu. Talvez achou que ia me convencer a soltar “o cara” que havia em mim.

Continuei na mesma, sem saber direito o que seria “o cara”, qual a vantagem em sê-lo, ou se existiria tal “cara”.

Nestes moldes, me parece uma pergunta abstrata apenas pra poder depositar na pessoa uma grande expectativa de segurança em estar fazendo a coisa certa. Como se a simples resposta, “sou o cara”, já resolvesse os problemas. Se o candidato responde que é “o cara”, é possível que a qualquer momento quando der uma zebra os outros cobrem-no justificando-se com a resposta que ele deu. Parece uma forma de foder com o cara com a ‘permissão’ dele. Você disse que era o cara, agora se vire!

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