Discípulo da razão é um blog para falar sobre a vida e sua falta de sentido. Sem rodeio. Sem frescura.
Pós-graduação – Parte 1
mai 29th
Carreira profissional
Trabalho desde 1998 com desenvolvimento de sistemas pra computador, fiz segundo grau técnico em processamento de dados mas acabei me formando em marketing. Foi uma escolha bem pensada, analisei o cartão de inscrição da faculdade, olhei os cursos oferecidos e pensei: “marketing parece legal, vai ser este”.
Naquele momento eu só sabia que não queria me formar na área de computação. Matérias entediantes, cálculos e mais cálculos, um monte de homens, muitos nerds. Foi isto que pensei na época e preferi manter distância. Com o tempo, já cursando, entendi melhor o que era o curso de Marketing e gostei. Matérias interessantes, mais comunicativas. Turma mesclada de homens e mulheres, pessoas bonitas e comunicativas.
Concluí o curso e não ingressei na área profissional de marketing. Continuo na área de informática. Algumas vezes na hora da contratação as pessoas acham estranho eu ser formado em marketing sendo que sempre fui da área de informática, mas por fim normalmente isto não me atrapalha devido ao tempo de experiência que tenho. Empresas maiores e mais burocráticas às vezes já eliminam meu currículo na triagem, acredito nisto. É um preço a pagar. No fundo não sei se almejo entrar nestas empresas tão burocráticas. Tenho almejado tão pouco, quase nada, profissionalmente.
Pós-graduação
Ano passado resolvi me inscrever em um curso de pós-graduação à distância em Engenharia de Software numa universidade do interior de Minas Gerais. Seriam apenas dois encontros presenciais. Comecei no fim do ano passado e venho fazendo até o presente momento. Mês que vem vou para o encontro. Comprei passagens de ida e volta, ida de avião e volta de ônibus. Vai ser uma loucura. Na ida, irei fazer conexão em BH, depois vou pra Campinas, e só depois pegarei um ônibus pra fazer uma viagem por volta de 3:10h até a cidade do interior mineiro. Na volta pegarei o ônibus de lá até BH, que deve demorar quase o mesmo tempo, espero um pouco na rodoviária e depois pego um ônibus de BH até Vila Velha-ES, que deve demorar em torno de 8h. Talvez uma viagem um pouco cansativa.
Serão três dias de estudos, trabalhos e provas.
O curso tem sido legalzinho. Porém é o tipo de curso que as matérias que não sei pela vivência prática até hoje posso aprender lendo na internet sozinho de acordo com o meu interesse. Na pós-graduação tenho que estudar e fazer trabalhos de coisas que podem não ser do meu interesse no momento e com datas para entregas de trabalhos. Gasto uma quantia de dinheiro que poderia estar gastando com outras coisas ou mesmo guardando.
Pelo tom deste último parágrafo parece até que quero desistir. Bom, não decidi isto, mas realmente me pego com vontade de desistir.
Outros cursos. Desânimo.
Já tentei fazer outros dois cursos de pós-graduação anos atrás. Na primeira tentativa em um curso de informática, não me lembro qual era o título do curso, fui um dia e no outro pedi pra cancelar minha matrícula. No outro ano ingressei em uma pós de Logística e Comércio Internacional. Conheci muita gente legal. Desisti depois de 2 meses.
A atual ainda tenho conseguido levar adiante, mas confesso que não sei se terei ânimo. Um título de pós-graduação no currículo pode contar ponto, mas também pode não contar, e no fundo tenho dado pouco importância para carreira e título profissional. O que pesa mais é que já paguei 9 meses, faltam umas 6 parcelas. Seria uma boa quantia em dinheiro jogado fora. Contudo, se eu continuar fazendo sem vontade, será um esforço enorme, tornando cansativo e entediante, e mais dinheiro saindo do meu bolso.
Fazer o que quero.
Gosto de ser objetivo. Leio e estudo o que me dá na telha, o que preciso e pronto. Tento fazer o que quero, na hora que quero. Assim é mais prazeroso e divertido.
Não sou o tipo de exemplo que muita gente espera para falar sobre títulos, faculdades, mestrados, etc. Também sei que cada tipo de especialidade tem exigências diferentes.
Penso quais seriam as (pseudo-)vantagens de se completar a pós, mas já penso nas respostas:
- acrescentar um título no currículo e melhorar minha empregabilidade: atualmente estou de saco cheio de pensar em emprego e carreira profissional, dane-se carreiras de sucessos e ser reconhecido.
- obter novos conhecimentos: o conhecimento que não tenho posso obter pesquisando e lendo.
Vamos ver o que vai rolar.
Respeito o mar, mas não tenho medo
mai 19th
Conversando com um amigo, onde ele estava contando algumas histórias de quando ele vai mergulhar, eu disse que tenho medo do mar.
No instante seguinte ele me disse: “Respeito o mar, mas não tenho medo”. Fiquei quieto já que a conversa continuou entre a gente e mais um colega.
Como diferenciam ‘respeito’ de ‘medo’ neste contexto?
Pelo próprio dicionário encontramos algumas definições para respeito como “obediência, submissão, temor, medo.”
Mesmo podendo entender de outras formas, como, por exemplo, “sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém” ou sei lá mais o quê, o que estava nítido para mim naquela conversa é que respeito era medo, receio, temor. Como entender diferente?
Eles sabem que o mar oferece grandes riscos de acidentes e até morte. Tomam vários cuidados quando estão mergulhando. O que seria então este respeito?
Parece que evitam a palavra medo para se mostrarem menos frágeis e mais poderosos. Bobeira.
Trabalho, emprego, escravidão
mai 12th
A cada dia tenho mais vontade de não ter emprego, de não ter a obrigação de trabalhar neste sistema escravizante. Tento me afastar dos seus males o quanto posso.
Vejo amigos querendo arranjar mais projetos por fora para ganhar mais dinheiro. Trabalham de dia, de noite e até fim de semana. Só pensam em ganhar mais dinheiro, buscar empregos melhores, trabalhar mais horas, comprar mais coisas. Vendem suas almas ao trabalho, ao dinheiro. Se aprisionam sem perceberem.
Vivem buscando crescer na empresa para ter mais reconhecimento e ter mais dinheiro para gastar mais. E quando começam a gastar mais, precisam de mais dinheiro. Assim este mundo escravo gira.
Devo estar mesmo me desligando do mundo que as pessoas em geral vivem. Ando buscando cada vez mais trabalhar menos. Gosto da falta de obrigação. Saúdo a preguiça.
Gosto de ficar sozinho e sossegado. Gosto de ter tempo livre, seja para ler, ficar deitado, andar na praia, ver filme ou o que me der na telha. Gosto de fazer nada.
Gosto de não me preocupar com esta roda viva que quer engolir a tudo e a todos.
Quero distância desta droga que vicia as pessoas, muitas vezes sem perceberem. Se tornam dependentes e não conseguem largar. Quero a mínima dose possível, de forma consciente, apenas para ter o que considero necessário para aproveitar minha vida.
Estou de saco cheio desta escravidão. Horário para entrar e para sair. Ser produtivo. Obedecer a superiores. Resolver coisas que não interessam a mim, e bla bla bla.
Minha vida não é isto, não é minha profissão, não é um emprego.
Alguns podem achar que estou surtando. Que seja.
Quero ir contra esta maré. Quero andar devagar. Fazer as coisas sem pressa, do meu jeito, de acordo com o ritmo que me deixe em paz, sem a loucura e correria que o mundo se encontra.
As pessoas passam a vida dando o seu suor a este sistema e esquecem-se de viver. Cada um com seu cada um. Eu não quero isto pra mim.
Talvez seja uma forma de passarem o tempo que não saberiam como aproveitar ou na verdade não conseguem pensar em como poderia ser diferente disto.
Penso que uma das formas simples para começar a depender menos de tudo isto é gastando menos, comprando menos, se endividando menos.
Já tive atitude mais rebelde e valeu a pena, como optar por ser demitido de uma empresa sem ter qualquer trabalho em vista quando eu já estava casado. Arrisquei e deu certo. Não consegui me livrar de ter que trabalhar novamente mas dei um fim a algo que não me dava mais prazer algum na época. Depois de uns dois meses arranjei outro emprego que considerei mais interessante.
Vou e volto, volto e vou
mai 4th
Há dias que não escrevo no blog, como podem perceber. Até tenho rascunhos que poderia finalizar e publicar, porém me falta inspiração, além de estar com preguiça. No fundo meus textos não são lá essas coisas, são apenas tentativas de retratos das idéias que estão em minha mente.
Apesar de ser um hobby manter este blog, estou praticando o desapego a ele. Me faz ter tempo para outras coisas e repensar outras formas de prazer.
De qualquer forma, até um outro texto pessoal.

