Sistema de ameaças

cotidiano, religião 5 comentários »

Conversando com um amigo meu de infância, perguntei-lhe se um colega, que temos em comum, voltou a frequentar a igreja, pois eu tinha ouvido alguém comentar e por curiosidade quis confirmar. Este colega era um desviado. É assim que são chamados os ex-membros de igrejas. Meu amigo confirmou e aproveitando mandou logo a pergunta: E você quando vai voltar? Respondi: Nunca.

Sei que a palavra nunca é algo forte e traz um peso sobre um instante que não conhecemos. Não gosto de usá-la quando se trata de futuro e nem vejo sentido, mas apesar de igreja ser algo fora de cogitação, na verdade dei esta resposta pois sabia que não adiantaria tentar agradar com outras respostas e correr o risco de dar esperanças, pois se desse margem, ele poderia começar com uma mini-pregação para ex-convertidos, tentando resgatar a alma do pobre pecador aqui. Como eu não tava com vontade de ouvir nada a respeito, tentei me esquivar, demostrando objetividade.

Foi daí que surgiu um clichê, que até tinha me esquecido, muito utilizado por crentes: Rapaz, se não vier por amor, vai vir pela dor.

Fico pensando, nossa! que convite-reflexão mais bondoso, hein?
Sempre na base da ameaça para as pessoas se manterem submissas aos dogmas e vontade de seus senhores.

Oh fulano, se você não aceitar a Jesus, você vai pro inferno e vai sofrer eternamente. Oh beltrano, o diabo[bb] está rondando a sua vida e vai acabar com ela se você não se arrepender de seus pecados[bb] e seguir a Jesus. Sicrano! Se você não voltar ao caminho do Senhor por amor, você voltará pela dor. Talvez um acidente, ou um filho doente, ou a morte de algum parente. Seja lá o que for, deus[bb] não vai ter escolha. Quando você estiver em pranto, e passando os piores momentos da sua vida, vai se lembrar de deus e que ele está te chamando.

Me admiro: que deus bondoso, hein!?, cara bacana!, mas mantenha-o longe de mim. Como o cara pode acabar com a vida de alguém mas não pode chegar pra conversar numa boa antes disto?

Pra quem acredita nestas histórias, talvez fique com medo mesmo e acabe se sentindo inseguro, com medo, e volte pra igreja por causa disto.

Alguns religiosos, devem se sentir superiores, olhar para mim e ter pena. Coitado do Renato, gosto tanto dele, mas vai pro inferno arder no mármore. Ah! Mas no fundo ele fez por merecer. Saiu da igreja e nem liga mais pra isto, que pecado!

E vocês não sabem da maior: a maioria de meus amigos nem sabem que vivo minha vida sem qualquer crença e submissão a divindades. Isto seria logo motivo para me despacharem no mesmo momento para o lago de enxofre.

O sistema de ameaças é um dos grandes métodos para manterem pessoas arrebanhadas e submissas dentro de igrejas, outro é a promessa de prêmios fantasiosos no além-túmulo.

Racional

cotidiano, vida 3 comentários »

Ultimamente, quando paro para conversar sério com alguém, tenho ouvido com mais frequência que sou muito racional. Não vem como elogio, é uma expressão lançada em tom pejorativo.

Parecem achar um absurdo que eu converse sobre certos assuntos sem o apego emocional do senso comum.

Tento ser imparcial e objetivo quando reflito sobre um assunto. Tento analisar e entender os pontos de vistas. Qual será o mal nisto?

Não esperem de mim opiniões baseadas em preconceitos.

E-mail que recebi

blog, cotidiano Nenhum comentário »

Vejam o que chegou em minha caixa de entrada:

Remetente: missionário <jovempracristo@gmail.com>

Mensagem:
Acho seu site muito presunçoso, você deveria analisar
melhor seus pensamentos antes de escrever, afim de não ofender
ninguém.
Você não é dono da razão,
Deus é mais!
Abraço.

Tentei responder o email porém retornou uma mensagem de erro.
Parece que há pessoas que se sentem inseguras em colocar o email verdadeiro e receberem uma resposta.

Sendo assim, torno a resposta pública:

Missionário,

Meu site é um local que utilizo para expor minha forma de pensar. Ninguém é obrigado a acessá-lo.
Quando o fazem é por escolha própria.
Se algo te ofende, por favor, deixe de visitar o blog.

Abraços.

Calor

cotidiano Nenhum comentário »

A cada dia que passa fico mais convencido que não suporto calor. Ele me faz ficar irritado, inquieto, impaciente e querendo que tudo acabe logo. Estou ficando com aversão. Evito lugares abafados, evito até cozinha, onde possivelmente há calor. Não gosto de fumaceira e nem gordura, outra coisa que tento passar longe.

Caminho bem concentrado e tento ser o mais objetivo possível quando vou à parte de churrasco em alguns self-services. Normalmente já está formada aquela fila de pessoas. Só de ver os churrasqueiros todos suados, a fumaça e prever o calor infernal que deve estar lá perto, quase desisto.

Quando a atividade é feita sob calor ou provoque calor mas é algo temporário e de acordo com nosso planejamento, por exemplo, ir à praia e à academia, tudo bem, mas senão não tenho mais saco.

Até para a praia evito ir. Ficar na areia fervendo, com um sol escaldante em cima, não é bem pra mim. Lá, até gosto de ir quando está um sol ameno, e curto bater papo, ficar um pouco na água e até jogar bola, mas não é sempre que ele, o sol, colabora. Talvez seja melhor ficar nos quiosques comendo petiscos e apreciando a paisagem, ou quem sabe, ficar em casa com o ventilador de teto ou ar-condicionado ligado assistindo a um filme.

Em meu apartamento, onde bate sol da manhã e sol da tarde, está ficando difícil de permanecer durante o dia, quando o sol resolve rachar nossas cucas. Antes, quando estava trabalhando, ficava em escritório com ar-condicionado, agora, parado, fico em casa, suando, esperando chegar o fim da tarde.

O sol é essencial e proporciona belas imagens, sem dúvida. As paisagens ficam paradisíacas. O clima quente parece deixar as coisas mais alegres. Mas tudo tem um limite. Se desse pra escolher a temperatura que queríamos e a hora que desejaríamos, seria excelente, mas não é assim. Ele, imponente, esquenta a chapa e a gente que se vire.

Pera lá meu irmão!

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