Discípulo da razão é um blog para falar sobre a vida e sua falta de sentido. Sem rodeio. Sem frescura.
Conservação da natureza e Filhos
jan 12th
Atualmente muito ouvimos sobre conservação da natureza, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade ambiental, etc.
Diversos projetos estão surgindo relacionados a este tema geral, mas talvez muitos esqueçam de uma estratégia muito forte para evitar mais problemas do que já temos: não tenham filhos!
Quanto menos gente surgindo, menos gente consumindo, menos recursos faltando.
Então, por qual motivo ter (mais) filhos? Isto só agrava mais a sua situação e dos outros que já estão por aqui.
Muitos se ‘preocupam’ tanto em preservar a natureza e se esquecem da espécie que mais se mete no curso natural das coisas: nós, humanos.
Contribua um pouco mais com o bem estar de todos e com a natureza: evite filhos.
Sonhos e expectativas
out 26th
Conversando com uma pessoa fui indagado com a seguinte questão:
“vc vive por viver? sem sonhos…sem expectativas?”
A pergunta foi superficialmente respondida quando fui questionado, mas tentarei explorá-la um pouco mais aqui.
Uma breve reflexão
Os sonhos das pessoas estão normalmente ligados a mudanças de vida que, ilusioriamente, proporcionarão satisfação plena. Mas quando um se concretiza outro já lhe vem à mente para tentar tapar o buraco da falta de sentido e mantê-las em atividade sempre atrás de algo.
O problema de enganar-se e ficar em busca de algo que mudará para sempre nossa condição dolorosa de viver, é subestimar os momentos do presente ao ponto de não perceber um instante que nos livre do tédio e nos dê prazer. Pensam tanto no futuro que o presente passa a valer menos do que já vale.
Após viver um momento que nem teve muita importância e passado muitos anos, olha-se para ele e pensa: “Como eu era feliz e nem sabia”. Conseguimos nos enganar ao ponto de sempre achar que foi melhor do que realmente foi e melhor do que hoje.
E quando olha-se para o futuro, pensa-se: “Ainda vou ser feliz”, ou ainda mais específico: “quando eu conseguir me aposentar e comprar a casa na praia, aí sim vou desfrutar da vida”.
Depois de aposentado e na rede da casa de praia, olha para trás e pensa: “já estou velho, devia ter aproveitado melhor minha juventude”.
Sempre olham em outras direções, nunca para o aqui e o agora. Olham para trás e a memória recria momentos mais saborosos do que foram. Olham para frente e imaginam momentos surreais. Olham para os lados e apressadamente deduzem que beltrano ou sicrano são felizes.
Tal felicidade está sempre onde não estamos.

Respondendo a pergunta
Vivo por viver, sem grandes ambições.
Me afasto da busca louca que muitos fazem atrás desta felicidade: como se de repente a vida mudasse e tudo ficasse colorido, bonitinho, satisfatório e prazeroso para sempre. Um fantasma que criaram para poder correrem atrás a vida inteira, nunca vendo-o e nem encontrando-o. Um esforço a mais sem qualquer recompensa.
Anseio coisas, porém tento manter ideias que podem ser realizadas em breve e com boa probabilidade, procurando deixar o resto em segundo plano.
Coisas que aplico no presente evitam preocupações que poderiam surgir sobre o futuro:
- Sustentação: evito financiamentos; tento pagar sempre com o que tenho ou em curto prazo.
- Saúde: busco manter a saúde, o necessário para conseguir evitar boa parte dos sofrimentos, sejam físicos ou psicológicos.
Sabendo que o mundo é cinza, não tento colori-lo e fantasiá-lo. Apenas busco aceitá-lo como cinza e tirar proveito disto.
O prazer obtido por algo esperado é fugaz. Assim que satisfazemos um desejo ou necessidade, o brilho daquilo passa, e o tédio nos faz a enxergar novamente a dor de viver. A sensação de euforia se perde num piscar de olhos e logo a realidade é escancarada em nossa cara. Por isto procuro aproveitar o momento enquanto dura sem esperar nada além disto.
Acordar e dormir em função de sonhos, de algo que pensamos que possa acontecer, só nos leva para longe do presente, como sonâmbulos, tomando atitudes sem consciência do momento.
A saída para suportar a vida é encontrar passatempos.
Se buscarmos o desapego total das coisas, o tédio nos esmaga, e a morte pode ser a melhor companhia.
Faço piada com este jogo sujo em que estamos metidos. Não tento me enganar e acreditar que ele seja outra coisa, com regras e premiações valiosas. Não espero nada em troca. O jogo está acontecendo, e não há qualquer árbitro preocupado com os pinos que se movem sobre o tabuleiro. Somos peões, andando de casa em casa, em direção à extinção.
Na maioria das vezes me divirto, dou risada, acho graça desta falta de sentido. Enquanto conseguir encarar assim, melhor pra mim.
No fundo não há muita escolha em como viver, cada um foi “programado” de um jeito.
A realidade está aí, sem firulas ou camaradagem, pouco se lixando para nós.
Pequeno diálogo
out 18th
Pequeno diálogo que eu tive durante uma cerimônia religiosa que precisei participar:
Eu: – Quanta besteira está sendo dita.
Pessoa: – Parece que algumas coisas não batem.
Eu: – Sim, ele está falando de bíblia.
Fiz uma tatuagem
jun 18th
Não sou fã de coisas que parecem não permitir mudanças. Mas no fundo, nada é permanente e isto me tranquiliza.
Já pensei em fazer tatuagem, mas sempre me assombrava com a tal permanência da pintura. Teria meu corpo marcado por toda, ou quase toda, vida, enquanto meu corpo não se decomposse.
Até que um dia comecei a procurar algum desenho que me interessasse. Queria encontrar uma fenix. Não era certo que eu realmente me tatuaria, mas me deixei levar.
Passou alguns dias e fui a um estúdio, o tatuador desenhou uma fenix com tinha removível, que possuía em seu catálogo. Fui para casa, analisei. Ainda não era o que eu queria. Limpei.
Continuei procurando mais desenhos.
Encontrei uma fenix que me interessei. Marquei horário no estúdio e fui. Levei o desenho e iniciei a tatuagem.
Fiz duas sessões, uma na quarta-feira (03/06) e outra na sexta (05/06). Duração de 01:30 a 2h cada. Fiz no braço esquerdo.
Ainda faltam mais umas duas sessões. Gostei do resultado até agora.
Concluindo, resolvi enfrentar esta preocupação, este medo, levá-lo menos a sério. Nada é pra sempre.

