Camisetas Ex-homossexual

Vi uma notícia publicada no site dykerama sobre uma campanha que me deu nojo, quanta baboseira:

O Movimento da Paixão por Cristo colocou à venda uma série de camisetas para cristãos arrependidos. Tem arrependimento para todos os gostos! Ex-ateu, ex-escravo, ex-hipócrita, ex-fornicador, ex-masturbador (!), ex-prostituta e, não podia faltar, ex-homossexual.

O problema em si nem são as camisetas, mas o preconceito materializado nelas. Como podem haver pessoas assim em pleno século XXI?

As várias camisetas da campanha podem ser visualizadas no site do próprio movimento.

O site Cafe Press conseguiu levar para o lado do humor (ou não) e contra-atacou com as camisetas “Ex-heterossexual”.

Poderiam até criar outras camisetas seguindo esta linha:

- Ex-virgem
- Ex-servo
- Ex-preconceituoso
- Ex-cristão
- Ex-santo-do-pau-oco

Besteiras? Sim, mas não mais idiotas do que a campanha do Movimento da Paixão por Cristo.

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Agnóstico Ateu

Considero-me agnóstico ateu. Não possuímos conhecimento sobre a realidade relacionada a deuses, sendo ela incognoscível [agnosticismo], e, além [ou, por causa] disto, sou ausente de crença [ateísmo].

Ao falar sobre deuses, tenho em mente qualquer divindade ou idéia extraordinária sobrenatural, sejam fadas, gnomos, duendes, demônios, etc.

Ateísmo pode significar tão somente “ausência de crença em deuses”, onde me encaixo, ou ainda, “negação da existência de deuses”. Vejo a primeira interpretação como neutralidade, não afirma-se e nem nega-se; não há crença. Já a segunda, a que me parece ser mais conhecida por todos, como um dogma, do qual não compartilho.

Esta posição imparcial não seria com relação aos deuses definidos de forma contraditória e auto-excludente (ex.: Jeová), mas sobre algum possível “deus das lacunas”, um ser indetectável presente nas lacunas do desconhecido. Confesso que para mim não passa de um atalho mental preguiçoso preencher o desconhecido com algo mais deconhecido ainda e fora do nosso alcance, pura fantasia, mas não tenho como provar a inexistência destas idéias mirabolantes.

Os “deuses” entendidos como a própria natureza ou as leis do universo, não são meu foco neste texto, já que parecem ser uma mera definição metafórica.

Para mim a ausência de crença é uma posição padrão qualquer ideia extraordinária que não nos fornece possibilidade de testes, provas, etc. Quem acredita em uma xícara em órbita do Sol que não pode ser detectada por instrumentos? E em um dragão invisível e imperceptível em sua própria garagem? Não sabemos se existem. Não há conhecimento para responder tais perguntas, mas creio que a maioria das pessoas não crêem nestas suposições e nem se preocupam com elas. E, para mim, “deuses” estão na mesma categoria que estas suposições.

Muitas pessoas crêem e se apegam emocionalmente quando a suposição é a existência de deus. Tudo bem, crer ou descrer por si só pode até ser indiferente, não passando de opiniões e não mudam a realidade das coisas.

O perigo deste assunto é quando as pessoas extrapolam suas opiniões e preferem se colocar em posições extremas tendo suas suposições como algo certo, uma verdade absoluta, não tendo apenas a característica de crença ou descrença, mas de afirmação ou negação quanto à existência de deuses. Todos estes caem no abismo da fé dogmática sobre algo que não possuem conhecimento.

Considero que não há como aceitar o “deus das lacunas”, negá-lo ou julgá-lo. Se tal ser existe, é totalmente discreto ou oculto. Não há como amá-lo e nem odiá-lo. É apenas uma idéia abstrata daquilo que não se pode conhecer. Algo irrelevante. Alguns podem considerar a falta de conclusão sobre o assunto “divindades” como que se manter “em cima do muro”. Mas esta expressão me soa como um posicionamento sensato.

Tentarei criar um exemplo para a analogia:

Imagine um muro. Cada um dos lados do muro dá em dois tetos de uma grande garagem coberta de telhado por todos os lados, não permitindo que a parte da garagem abaixo fosse vista. Duas pessoas estão à procura de formigas.  Uma delas acha mais vantajoso descer de um lado do muro afirmando que este lado possui formigas dentro da garagem e a outra,  descendo para o outro lado, afirma que ali não possui. Ao descer para algum dos lados a pessoa continua sem conseguir saber se realmente há formigas abaixo, na garagem. A visão das pessoas que desceram do muro continua limitada da mesma forma de quem está em cima do muro, ou melhor, mais limitada por não conseguir enxergar mais o outro lado.

É um exemplo simplista e limitado, mas serve para refletir sobre a questão e se perguntar: Qual vantagem em sair de cima do muro? Nenhuma. Não há qualquer motivo para esta atitude.
Assumir uma posição dogmática sobre um assunto desconhecido é besteira.

Qual o mérito em ser arrogante concluindo sobre um assunto que não pode ser conhecido, seja afirmando ou negando? Isto de forma alguma demonstra prudência. Não passa de precipitação. O máximo que podemos fazer é imaginar.

Não vejo motivos para adorar e prestar cultos a algum deus qualificando-o arbitrariamente, de forma imaginária, suas características, seu nome, suas vontades e suas respostas: “revelações do além”, assim como não vejo motivos para negar a possibilidade de existência de algum ser transcendental. É perder tempo.

Nem mesmo sabemos definir o que seriam “deuses”, e este por si só é um ponto que pode nos fazer ignorar este assunto por completo, não permitindo julgamentos e nem merecendo atenção.

Pesando os benefícios e prejuízos, a crença afirmativa é maléfica em relação à sociedade, pois muitas vezes acarreta em  inúmeras discriminações, falta de compromisso com a ciência e guerras. Não adianta cada um crer em algo que peça-lhes favores, imponha-lhes regras quaisquer, ameaçando-lhes e distanciando-lhes do conhecimento e do respeito com o próximo.

Temer a algum possível “ser” não é nem de longe a melhor forma de se ter uma conduta moral. Aliás, por que ter medo de algum ser que julgam, por capricho, ser bom?

Por tais coisas, não aceito os dogmas religiosos. Não aceito atitudes tomadas pelas religiões que são defendidas e aprovadas somente por serem interpretadas como ‘vontade’ de seu próprio deus. Não aceito a pretensão de algumas religiões se considerarem ‘guardiãs da verdade’. Não aceito a luta de religiões contra o senso crítico e a razão. Não aceito que a religião diga o que é certo ou errado somente baseada em crenças, dogmas e livros sagrados. Não aceito que as religiões tornem seus deuses inquestionáveis, apenas passíveis de aceitação.

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