Discípulo da razão é um blog para falar sobre a vida e sua falta de sentido. Sem rodeio. Sem frescura.
Cultura empresarial
abr 28th
Resolvi ir almoçar com meus amigos do meu antigo serviço na sexta-feira. Fui de bermuda jeans, um sapa tênis que uso pra sair, uma camiseta regata e óculos escuro. Ou seja, vestimentas normal para quem vive no litoral e não está trabalhando. Cheguei uns 10 minutos antes deles saírem para o restaurante e subi para cumprimentá-los. Fui muito bem recepcionado. Quando desci para a recepção encontrei o gerente financeiro ou sei lá o nome da função dele. Olhou pra mim esbaforindo e disse: Assim você queima meu filme, como você sobe assim? E se tiver clientes? E mais bla-bla-bla. Tudo por causa da minha roupa. No início achei que era brincadeira, mas, pra engano meu, ele tava falando sério.
Lá, enclausurados, assim como eu era, têm que andar com roupa social e gravata, Sempre! Há algumas excessões, as meninas e alguns desenvolvedores têm outro uniforme.
Aliás foi uma das recomendações do diretor da empresa quando entrei de aviso prévio: Renato, mantenha a mesma vestimenta! E tomei um esbregue em um dia que fui sem a bendita gravata. Até achei engraçado, mas beleza. Parece que a gravata tem um poder especial de iluminar as mentes.
Mas voltando ao dia da visita, se tivesse clientes lá, o tal cara não podia simplesmente deixar quieto ou se eles perguntassem, que ele dissesse: “Este é um amigo nosso, ex-colaborador que veio visitar-nos”? Coitado, parece que seria muito dizer isto.
Eu não pertenço mais à empresa e parece que preciso seguir as mesmas regras, ou senão, talvez não possa visitar mais meus amigos e a empresa. Se eu quiser, que eu bote uma gravata e bata ponto. Não podem receber uma pessoa de braços abertos e dizer: “Seja bem-vindo. Quanto tempo!” do jeito que eu estiver vestido. Ainda bem que meus amigos mesmo só ficaram rindo da situação. São pessoas normais, sorte a minha.
Pra se ter uma idéia como isto é cultura empresarial, outro dia, me ligou o diretor de outra empresa, com o qual já tive contato, me chamando pra conversar e no telefone eu disse: “Fulano, eu estou perto da sua empresa, mas estou de bermuda e chinelo, tem problema ir aí assim?”. Prontamente ele disse: “Claro que não, vem pra cá”.
Claro, dentro da empresa, os funcionários seguem regras, mas pera lá, neste episódio de sexta-feira eu era só visitante.

