Falta de sociabilidade e Ócio

Meu nível de sociabilidade tem diminuído drasticamente. Há momentos e momentos, mas o brilho de boa parte das coisas estimadas socialmente já se foi.

Já ouvi falar que pareço um velho, pois acabo preferindo ficar em casa do que sair. Muitas vezes prefiro minha companhia do que a dos outros.

Após refletir sobre a comparação percebi que muitos velhos, por limitações físicas e cansaço de uma longa jornada, conseguem apreender a vida de maneira mais clara. Percebem que a vida não tem muito a oferecer, não se preocupa com ninguém, não faz sentido, e no fim leva a todos para debaixo da terra. Eles já não conseguem se iludir muito. Então, é quando podem pendurar as chuteiras e aceitar tudo isto sem se desgastar tentando mudar o mecanismo. Apreende-o e aceita-o. O fim da máquina está próximo. Não há motivos para lutar.

Quando jovens, todos lutam por ideais, procuram gastar sua energia em prol deles. Trabalho, escola, filhos, humanidade e assim vai. Alguns gastam todo seu tempo para tentar ganhar um pouco dele no fim da vida.

Uma forma de tentar dar sentido para tudo ou para tentar financiar uma felicidade futura, fantasia do além. Quando a velhice chega, percebe-se de maneira mais forte que a morte está por perto, então começam a deixar as preocupações de lado e se distrair com coisas mais simples.

Os mais jovens não se dão conta. Não precisam viver planejando algo que podem viver no presente. Basta pularem todo o estágio da corrida insana.

Esta foi minha opção: menos preocupação, menos correria, mais ócio, mais tranquilidade. Direto ao ponto, sem precisar de mais dinheiro ou de mais idade. As obrigações que tenho são as que considero necessárias para viver, evitar o tédio e ter algum prazer.

Não precisei de limitações físicas, nem muitos anos nesta jornada. Não precisei abandonar minha vida em busca de dinheiro e de posição social. Cheguei aqui com altas doses de reflexões.

Deixei as ambições de lado. Larguei as preocupações que não me levam a qualquer lugar. Não vejo utilidade em grande parte das conversas que ouço. Não vejo graça em muitos encontros sociais. Não me sinto à vontade com várias pessoas.

Pelo acaso fui equipado com doses de bom humor, que ainda recebo com boa frequência, o que facilita a minha interação social, quando necessária. O que não significa que desejo ter as obrigações sociais aceitas pela grande maioria ou viver em função da atenção dos outros.

Por este distanciamento já fui intitulado de anti-social.
Uma constatação de que tenho deixado de ser útil para os outros, o que é interessante, e talvez uma ponta de inveja ocorrida pelo desejo de tomarem as mesmas atitudes mas não se permitindo sem que a culpa social lhes sobrevenha.

Quem ainda consegue se iludir, correr atrás de sonhos e fantasias, acha o cúmulo meu estado de espírito, resultado da perda desta habilidade.

Tenho minhas maneiras de evitar o tédio e me fornecer doses de prazer, mas não me peçam para usar os mesmos meios já definidos por contratos sociais.

Tiro um grande sarro de toda esta piada sem graça que chamamos de vida.

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Coisas que me deixam impaciente

Muito calor.
Muito sono. Meu nível de sociabilidade cai bastante. Quando estou assim, gosto de ficar no meu canto, e se possível ir dormir.
Pessoas que falam muito alto, como se estivessem brigando, disputando.
Pessoas que reclamam de tudo e acham que o mundo conspira contra elas.

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